Senado rejeita indicação ao STF após mais de um século e impõe derrota política ao governo Lula

Foto: Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

O Senado Federal rejeitou, nesta quarta-feira (29), a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF), marcando a primeira recusa a um nome indicado à Corte em mais de 130 anos. A decisão representa uma derrota política significativa para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e amplia a tensão entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional.

Messias recebeu 34 votos favoráveis, número insuficiente para aprovação, enquanto 42 senadores votaram contra sua indicação. O resultado interrompe um intervalo histórico sem rejeições desse tipo desde 1894, ainda no período da República Velha.

Indicado por Lula há mais de cinco meses, o chefe da Advocacia-Geral da União enfrentou resistência crescente no Senado, especialmente entre parlamentares do centro e da oposição. A rejeição também evidencia dificuldades na articulação política do governo junto à base parlamentar em um momento estratégico, às vésperas do período eleitoral.

Nos bastidores, aliados do governo atribuem parte da derrota à atuação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que teria articulado votos contrários ao nome de Messias. A assessoria do senador, no entanto, nega qualquer interferência nesse sentido.

Durante a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o indicado já demonstrava fragilidade política. O clima entre governistas era de apreensão diante da incerteza sobre o resultado. Ainda assim, houve tentativa de mobilização de última hora por parte do Planalto, que buscou reverter o cenário com contatos diretos com senadores.

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner, afirmou ter sido surpreendido pelo resultado. Segundo ele, a expectativa era de uma margem confortável de aprovação. Apesar disso, evitou classificar o episódio como traição.

A escolha de Messias também gerou insatisfação dentro da própria cúpula do Senado, especialmente por ter preterido o nome do senador Rodrigo Pacheco, que contava com apoio de lideranças políticas relevantes.

Além do impacto institucional, a rejeição acende um alerta político para o governo federal. A derrota ocorre em um contexto de disputa eleitoral crescente e pode influenciar a percepção sobre a capacidade de articulação do Executivo, especialmente junto ao eleitorado de centro.

Durante sua sabatina, Messias adotou um discurso voltado à moderação, defendeu mudanças no funcionamento do STF e buscou sinalizar alinhamento com pautas sensíveis à oposição. Ainda assim, não conseguiu reunir o apoio necessário para sua aprovação.

O episódio reforça o clima de instabilidade na relação entre Executivo e Legislativo e deve repercutir diretamente nas estratégias políticas do governo nos próximos meses.

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